História do Sistema de Escrita Tibetana

Foi durante o sétimo século de monarquia, sob o reinado de Songtsen Gampo, que a primeira iteração do que se tornaria a língua escrita tibetana moderna veio à existência. Antes disso, os tibetanos usavam o Mayig, um sistema de escrita bastante rudimentar.

Songtsen Gampo se deparou com a tarefa de traduzir os ricos textos budistas existentes do sânscrito para o tibetano, e precisaria então de um sistema de escrita coerente e com simbolismos suficientemente ricos. Ele pediu ajuda ao ministro e grande estudioso Thönmi Sambhota, que junto com outros dezesseis sábios ministros viajaram para a Índia para estudar sânscrito. Somente Sambhota retornou devidamente qualificado. Sua viagem foi frutuosa e um novo sistema de escrita tibetana, pouco baseado no sânscrito índico, foi estabelecido. Vale a pena notar que a língua falada tibetana permaneceu a mesma; Apenas o idioma escrito foi renovado. Sambhota concebera um alfabeto e convenções de escrita padronizadas, incluindo gramática e pontuação, e mais tarde produziria também a primeira iteração das formas Uchen e Umed.

Diferentes estilos foram desenvolvidos nos séculos seguintes. No início do século IX, o estilo tibetano sofreu outra transformação e o “antigo tibetano” se padronizou como “tibetano clássico”. Mil anos se passaram, mas a caligrafia tibetana perseverou, evoluindo constantemente para sua forma contemporânea. No século XIX, os modelos Uchen e Umed, os dois principais estilos de escrita tibetana, se fortaleceram utilizando as mesmas proporções que ainda vemos nos dias de hoje.

Caligrafia tibetana e budismo tibetano

Existe um vínculo notável entre o budismo e o sistema de escrita tibetano (sendo sua criação motivada principalmente por uma necessidade de conservar e decifrar manuscritos budistas em sânscritos). Porém, limitar a ligação da caligrafia e do budismo tibetano (e também por associação a cultura tibetana) a uma simples concepção funcional, não faz jus ao real relacionamento existente entre eles. Os dois são em grande parte inseparáveis ​​e permaneceram assim até hoje.

O budismo tibetano é considerado uma tradição “viva”, composto por muitas linhagens em que um mestre ensina a totalidade do conhecimento de uma determinada linhagem para um discípulo. A linhagem também é considerada fluida, já que o discípulo percebe a sabedoria desses ensinamentos através da meditação. Claramente, os aspectos acadêmicos e meditativos do budismo tibetano estão intimamente ligados.

O papel da caligrafia nessa relação é de servir como chave pela qual os ensinamentos budistas existentes são desbloqueados. O desenvolvimento uma linguagem escrita também gerou benefícios administrativos ao império, que pôde fazer uso da linguagem em documentos legais e históricos.

*A imagem de capa do post é do meu professor de caligrafia tibetana Tashi Mannox

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